O que fazer depois do doutorado?

A um tempo atrás escrevi aqui no blog, que uma pessoa deve pensar muito bem antes de começar um doutorado. Pois aqui estou na minha fase final do doutorado. Já consegui publicar 2 journals que estão indexados pelo JCR (Journal Citation Report) e alguns papers em congressos internacionais. Mas de que serve isso? Quais as minhas chances depois de um doutorado?

Bem… como eu já comentei, não gosto de dar aula.  Minha única saída é trabalhar em empresas de R&D (Research and Development), ou seja, trabalhar com pesquisa que é o que eu realmente gosto. Aqui em Madrid tem bastante e minha idéia é entrar em uma delas. Qual o salário médio que pagam para um Staff Researcher nessas empresas? Em torno de 2000 a 3000 euros por mês, dependendo da sua experiência. É pouco? É muito? Com 3000 euros dá pra viver bastante bem aqui na Espanha e ainda viajar 1 vez por mês sem nenhum problema. Convertendo isso em reais, dá pouco mais de R$7000,00 com a cotação de 2.35 que é justamente o que um professor contratado recebe no Brasil (salário bruto).

Agora cheguei onde queria chegar! É simplesmente ridículo que um professor contratado doutor no Brasil ganhe apenas R$7.000 reais (brutos) enquanto um funcionário público que trabalha de 07:00 a 13:00 ganhe 10 mil reais. Não quero menosprezar quem fez concurso público ou não, e sei a dificuldade que é passar, mas o salário de um professor deveria ser no mínimo 10 mil reais. Afinal, é o professor universitário que começa a direcionar o aluno para o futuro. É na faculdade, que você começa a ver qual caminho seguir na vida.

Infelizmente, com esse salário de professor eu não volto ao Brasil. Confesso que poderia contribuir bastante no aprendizado de novos cientistas e engenheiros, mas com esse salário, fico por aqui. Essa é a famosa fuga de cérebros onde o governo brasileiro não apóia os pesquisadores do país e todos vão para o exterior em busca de mais apoio e reconhecimento. Eu sou mais um e apóio quem também o faz.

Voltando ao tema do post, o que farei depois do doutorado? Farei duas coisas e em paralelo. A primeira é entrar em uma grande empresa de pesquisa (seja na Espanha ou em qualquer lugar do mundo) e a segunda é empreender. Conseguindo as duas, posso considerar que sou uma pessoa realizada e terei alcançado meus objetivos.

Impressões do Nokia N97

n97Fui um dos primeiros compradores do novo Nokia N97 🙂 Por uma “bagatela” de 579 euros, recebi o novo celular da Nokia no dia 24 de junho de 2009, mas só agora consegui escrever sobre o bicho. Para quem não quiser ler o texto todo, resumo aqui em apenas uma palavra: “espetacular”.

Confesso que sou um fã da Nokia e de todos os celulares que já tive, incluindo Iphone, Nokias e Blackberry, a Nokia pra mim é a melhor. Apesar do fracasso que tive com o N95 8GB que simplesmente não funciona, eles podem me considerar como um eterno cliente, porque os celulares são muito bem feitos.

Bom, vamos ao que interessa. O celular é espetacular, muito bonito, muito mais fino do que eu imaginava e muito melhor do que eu pensava. Vou separar aqui por características:

Touch Screen: dou nota 8. Nesse quesito, a Apple é imbatível. O touch do Iphone deixa qualquer clone no chinelo, não tem jeito. Já mexi com o Samsung Omnia, Nokia Xpress 5800, Nokia N97, Blackberry Storm e o Iphone é o melhor. O N97 não é ruim, acho que para uma “primeira” versão táctil, não está mal. Sei que o 5800 Xpress saiu antes, e os dois tem o mesmo hardware touch screen. Acho que  a “película” de proteção também atrapalha um pouco mas não tive coragem de tirar ainda 🙂 A canetinha que vem com o N97 é simplesmente espetacular, muito bonita, profissional e dá um toque de luxo ao celular. Por outro lado, a Nokia tem que mudar o esquema de abrir e fechar softwares, além da barra de rolagem lateral que é ridícula. Só uma criança para conseguir mexer naquilo ali. Abrir e fechar um software ou uma aplicação, exige uns 4 toques na tela. Particularmente, eu acho que isso pode ser melhorado.

Câmera: achei que fosse melhor, mas os 5 mega pixels garantem boas fotos e a gravadora de vídeos também não fica atrás. Nota 9 para a câmera.

Teclado: aqui sim a Nokia humilhou os concorrentes. Que espetáculo de teclado, simplemente incrível. Eu estava bastante acostumado com o Blackberry mas o tecladinho do N97 é de dar inveja a todos os fabricantes. E ao abrir o teclado, a tela levanta e fica muito confortável para digitar e ver ao mesmo tempo.

Internet: navegar na Internet está cada vez melhor nos aparelhos Nokia. No N97,  a tela é bem grande e a navegação é bem “prazerosa” 🙂

Tela inicial:  os widgets ficaram muito, mas muito legais. A página inicial do N97 é totalmente personalizável e você pode colocar o que quiser. Eu já coloquei facebook, fring, gmail, o tempo, GPS, entre outros. Tudo fica conectado o tempo todo, assim que tem que ter muita atenção porque senão a conta de celular vai vir com muitos zeros no final.

Outros: uma função interessante que veio no Nokia que só fui descobrir depois de alguns dias é o Transmissor FM. Com seus 32 GB de memória, o Nokia N97 é um verdadeiro Ipod. Com tante música, você abre o Music Player e seleciona uma frequência para ele tocar. Agora basta sintonizar a rádio do carro ou da casa na frequência que você colocou e pimba… simples, fantástico e muito útil.

Resumindo, hoje por hoje, eu prefiro o N97 que o Iphone 3GS, principalmente pela câmera e pelo teclado.

Faltam pesquisadores no Brasil. Qual será o problema?

veja.jpg

Bastante interessante essa figura que saiu na revista Veja dessa semana no Brasil. Não sei se o título da mesma está correto ao falar que faltam pesquisadores no Brasil. Sinceramente, eu não concordo que faltem pesquisadores, o que eu acho é que falta mais apoio e visibilidade aos pesquisadores.

 Primeiro, o que é um pesquisador? Um pesquisador ou um investigador como é chamado aqui na Espanha, pode ter diferentes significados mas o mais conhecido é aquela pessoa “nerd” que trabalha com coisas irreais e fica estudando e investigando o que ainda não existe. Claro que existem outras definições e são essas outras definições, que dão o real significado a pessoa que é um pesquisador.

A verdade é nua e crua. O pesquisador é totalmente desvalorizado no Brasil. Sem sombra de dúvidas. Como diz na figura, a grande maioria dos pesquisadores estão nas universidades. Em média, um pesquisador após ter passado 10 anos estudando (4 de graduação, 2 de mestrado, 4 de doutorado) ganha mais ou menos R$5.000 (cinco mil reais). Tem gente que acha muito, tem gente que acha pouco. Infelizmente, no Brasil, o ensino não é valorizado e por consequencia disso, os professores e pesquisadores também são sub-valorados.

Aqui na Espanha, o cenário muda um pouco, mas ainda estamos longe do ideal. As maiores empresas espanholas e multinacionais possuem um centro de I+D (Investigación y Desarrollo), ou seja, um centro para investigar, pesquisar, criar novos produtos, novas fórmulas, novos conceitos, novos paradigmas. Tudo isso a bon salários. Vou citar um exemplo de uma das maiores empresas de telecomunicações do mundo, a Telefônica Espanha. A Telefônica possui um centro I+D que atualmente emprega mais de 2000 pessoas e tudo a serviço da inovação tecnológica.

Al final del año 2006 la plantilla propia estaba compuesta por aproximadamente 2000 personas de las cuales un 94% son titulados universitarios. Un 26% de la plantilla está compuesta por mujeres, y el 74% restante, por hombres. La edad media de los empleados es de 36 años y su experiencia laboral media es de 12 años lo que convierten a Telefónica I+D en una empresa madura en sus planteamientos y capacidades, aunque joven en su creatividad y entusiasmo.”

Sugiro navegar na páginas por uns 10 minutos pra ver como eles investem em pesquisa. Aqui vai uma lista dos projetos de pesquisa que eles patrocinam. O benefício de um centro I+D dentro de uma empresa é incalculável. Além da Telefônica, outras empresas também tem seus centros de investigação como T-Mobile, Vodafone, Orange, etc…

Será que tem alguma relação direta entre onde trabalham os cientiras e a riqueza do páis? Veja a figura e tire suas prórprias conclusões. 

O fracasso das aplicações para celulares

Web 2.0 

Não tem como negar. Hoje em dia não existe nem um software para celular que seja um sucesso em todo o mundo. Hoje não existe modelo de negócios para desenvolvimento de aplicações para celular. Tudo não passa de um bom marketing de grandes empresas que prometem um mundo cada vez mais móvel e que na verdade, é uma grande mentira.

Vamos ao teste. Qual o software para celular mais baixado do mundo? Tem alguma idéia? Em primeiro lugar está o navegador Opera Mini e em segundo lugar o Google Aps (Gmail, Google Maps, Google Docs, YouTube, etc). Pronto. Nem existe terceiro lugar porque não existem mais aplicações para celulares que realmente fazem sucesso.

Tudo começou mais ou menos em 1998, a Palm dominava o mercado com aplicações inovadoras, mas tudo não passou da bolha do mercado de tecnologia. A Palm praticamente sumiu. Em 2007 e 2008 tivemos grande avanços nesse sentido. Primeiro foi a Apple que lançou o “bonitão” Iphone e mudou o conceito de que é um celular e suas possíveis funcionalidades. E nessa última semana, a Apple lançou uma API para quem quiser desenvolver softwares para o Iphone. Segundo a própria Apple, já foram feitos mais de 100.000 downloads de pessoas interessadas. Em segundo lugar temos o Google que em 2007  lançou um sistema operacional para celulares, o Android que também já está fazendo sucesso (750.000 donwloads) e até oferece um prêmio de 10 milhões de dólares para quem desenvolver a aplicação mais interessante para celular.

Ao mesmo tempo que existe tudo isso a disposição dos programadores, eu não consigo ver o porque que não temos nenhuma aplicação decente para celular. Por exemplo, o Brasil tem mais de 120 milhões de celulares para uma população de 180 milhões de pessoas. São 65 celulares para cada 100 habitantes. O que esse povão todo usa? Somente voz? Usam o telefone somente para falar?

O usuário de celular é um bicho estranho. Ele é capaz de pagar R$0,80 centavos por minuto em uma ligação pré-pago mas não tem coragem de comprar um plano para usar dados com medo de pagar centenas de reais para a operadora. Onde está o problema?  Vamos aos dois lados da moeda:

O lado do usuário:
1 – As aplicações para celular estão cada vez mais leves e utilizam cada ves menos informações para não “pesar” no bolso do usuário.
2 – Hoje temos celulares que são praticamente computadores de mão. Temos como exemplo, o Nokia N95 8GB, o Iphone, HTCs, Palms, entre outros. Estes celulares possuem grande poder de processamento, possuem memória, telas de alta definição, Wi-Fi, GPS, etc.

O lado do programador:
1 – Colocar no mercado uma aplicação para celular é uma tarefa complicadíssima. Primeiro, existem N tipos de sistemas operacionais, N tipos de celulares, N tipos e tamanhos de telas. Tudo isso dificulta e muito o desenvolvimento
2 – As operadoras querem tudo. Não querem dividir lucros, não ajudam em nada. Só querem tráfego de dados ($$$) e mais nada.

Tem um artigo bastante interessante de um ex-empregado da Palm e da Apple, no Blog Mobile Opportunity. O que ele fala é que as aplicações para celulares nunca existiram, nunca tiveram modelo de negócios e nunca vão existir. Os programadores estão passando cada vez mais ao que chamamos de programação web para celulares. Ou seja, desenvolver uma página web que seja acessível e customizada para ser visualizada no celular. O interessante disso é que não tem muito segredo. O programador não tem que aprender novas tecnologias, o investimento para desenvolvimento é muito menor e não tem que desenvolver um produto específico para cada celular.

Acho que esses  são os motivo pelo qual existem tão poucas aplicações para celular. Alto custo de desenvolvimento, real necessidade dos usuários e portabilidade para todos os tipos e modelos de celulares e sistemas operacionais.

Como não podemos prever o futuro, eu ainda espero um software ou uma “killer application” para celulares. Ainda está por vir. O mercado a ser explorado é muito grande e as oportunidades existem, mas a olho nú o mercado móvel ainda é um grande buraco negro.

Modelo de negócios de software para celulares

fring.gif 

Esse ano de 2008 estive novamente na Mobile World Congress em Barcelona e lá estava fazendo bastante propaganda de um software para celular. Bom, eu como um fanático por aplicações móveis e por um mundo cada vez mais móvel, fui testar.

O software nada mais é que uma página web desenvolvida para celular que oferece todos os serviços turísticos de Barcelona. A página é barcelona.mobi. Eu sinto bastante falta deste tipo de aplicação quando viajo aqui pela Europa. De repente você está em algum lugar e quer ir a algum restaurante que está perto, ou identificar as atrações turísticas que estão mais perto de você e um software como esse até que “dá pra enganar” mas está longe, muito longe de ser o ideal.

Já fazem 9 anos que trabalho com redes sem fio e com aplicações móveis, tecnologia móvel e tudo o que for relacionado e sinceramente não vejo onde está o “core” do problema. Seriam as operadoras que cobram caro pelo tráfego de dados? Seriam os celulares que ainda não estão preparados para o mundo móvel? Seriam os usuários que não demandam esse tipo de aplicação? Qual o real problema para não termos aplicações móveis que funcionam?

No próximo post tentarei expor os fatos principais do grande problema de desenvolver softwares para celulares e porque a penetração deste tipo de aplicação é praticamente nula no mercado mundial.

Chip libera telefones Nokia e Iphone

xsim.gif Realmente me impressionou bastante o lançamento desses chips que liberam os celulares. Conhecidos como Turbo Sim ou Xsim, esses chips são uma invenção impressionante e sinceramente queria saber como funciona por dentro. Recentemente comprei um Xsim para um amigo ai do Brasil para liberar o N95 8GB que tinha levado para ele no Natal. Nada mais colocar o chip, pimba, celular liberado.  A grande pergunta. Como funciona? Como burlam a operadora? Qual o “by-pass” que tem ai dentro?

Eu tentei liberar o N95 8GB que havia comprado em dezembro de 2007, mas infelizmente ninguém conseguia liberar o telefone. Tentaram por códigos e por cabos e nada. Ai, com um simples chip, tudo funciona perfeito. Para quem quiser ver como funciona, recomendo esse vídeo de demonstração.

Características interessantes do chip:

. Não interfere na garantia do celular
. Não é necessário mexer nem no harware nem no firmware do celular
. Funciona com 99% dos modelos de telefones de todo o mundo
. Custa somente 29 euros.

Sei que no Brasil, com a nova regulamentação da Anatel, está proibido vender telefones bloqueados. Mas os brasileiros compram muito celulares fora do país, seja Iphone ou outros modelos, portanto, esse chip vale a pena.

Iphone virá com email corportativo e vai competir com o BlackBerry

ipod_touch.jpg 

A Apple anunciou na última semana que vai incorporar email corporativo em todos os novos Iphones que forem lançados daqui pra frente. Tudo isso depois de uma avalanche de críticas dos usuários e uma grande demanda do mercado que é totalmente dominado pela Blackberry da Research in Motion (RIM). O mais interessante do anuncio é que a Apple vai trabalhar com a Microsoft e quer oferecer o Exchange aos usuários.

 Segundo Steve Jobs, os novos Iphones que serão lançados tanto na Espanha quanto no Brasil já virão com todas as novas modificações, incluindo o email corporativo e a tecnologia 3G. Vamos ver se a notícia vai repercutir em mais vendas e também nas ações da Apple que não andam muito bem a algum tempo.